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Tião Carreiro & Pardinho 1981 - Modas de Viola Classe "A" - Volume 3 

LP Completo de Tião Carreiro & Pardinho - Modas de Viola Classe "A" - Volume 3... o 3 LP de uma série de 4 Vinils com o melhor de modas de viola da dupla lançado pela Continental. Disco em 1981...

Tião Carreiro & Pardinho 1981

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Musicas do LP

  1. Última Viagem
  2. Rio Preto de Luto 
  3. Boi Sete Ouro
  4. Rei do Gado 
  5. O Mineiro e o Italiano
  6. Padecimento
  7. Preto Inocente 
  8. Catimbau 
  9. Boi Cigano 
  10. A Viola e o Violeiro
  11. Terra Roxa
  12. Exemplo de Humildade

Tião Carreiro & Pardinho 1981 - Modas de Viola Classe "A" - Volume 3 (LP Completo)

Letras das Musica do LP

A1 - Última Viagem
Composição: (Carreirinho e Fernandes)

Numa fria madrugada eu arriei o meu Picasso.
Fui fazer uma caçada no campo de Santo Inácio.
Num rancho beira de estrada pra aliviar o meu cansasso.
Parei pra beber uma água e conheci o velho 'Epitácio'.
Era o rei dos cantador ai que teve um triste fracasso.

Seu moço você esta vendo esta viola empueirada?
Faz dez anos que este pinho está num canto pendurada.
Dez anos atraz esta viola sempre foi a minha enchada.
Eu com o meu compaheiro nós dois não tinha parada.
Toda semana cantava levando a vida forgada.

Cada dia uma cidade sempre fazendo viagem.
Prá violeiros despeitados bater com nóis é bobagem.
Em modas de desafio nóis tinha grande bagagem.
Desafiava dia e noite não levava desvantagem.
A fama do Nhô Epitácio já estava em muitas paragem.

Fizemos a última viagem do lado do Itararé.
Quamdo bateu meia-noite os campeão chamou no pé.
Cantemo o resto da noite sem desconfiar da má fé.
O povo fingia alegre dançando e batendo o pé.
Quando foi de madrugada para nós trouxeram café, ai.

Seu moço aquele café foi verdadeira cilada.
A parte que nos trouxeram tava toda envenenada.
Por eu não tomar café me livrei desta emboscada.
Sei dizer que aquela genta tava toda desfeitada.
Os campeão que nóis quebremo tinha fama respeitada.

No outro dia faleceu meu parceiro de estimação.
Pendurei alí a viola e nunca mais botei a mão.
Esta viola é vitoriosa nunca perdeu prá campeão.
Esta foi a última viagem que enlutou meu coração.
Porque perdi meu parceiro e além disso é meu irmão, ai.

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A4 - Rei do Gado 
 Composição: (Teddy Vieira)

Num bar de ribeirão preto
Eu vi com meus olhos esta passagem
Quando champanha corria a rodo
No alto meio da grã-finagem
Nisto chegou um peão
Trazendo na testa o pó da viagem
Pro garçom ele pediu uma pinga
Que era pra rebater a friagem

Levantou um almofadinha e falou pro dono
Eu tenho má fé
Quando um caboclo que não se enxerga
Num lugar deste vem pôr os pés
Senhor que é o proprietário
Deve barrar a entrada de qualquer
E principalmente nesta ocasião
Que está presente o rei do café

Foi uma salva de palmas
Gritaram viva pro fazendeiro
Quem tem milhões de pés de cafés
Por este rico chão brasileiro?
Sua safra é uma potência
Em nosso mercado e no estrangeiro
Portanto vejam que este ambiente
Não é pra qualquer tipo rampeiro

Com um modo bem cortês
Responde o peão pra rapaziada
Essa riqueza não me assusta
Topo em aposto qualquer parada
Cada pé desse café
Eu amarro um boi da minha invernada
E pra encerrar o assunto eu garanto
Que ainda me sobra uma boiada

Foi um silêncio profundo
O peão deixou o povo mais pasmado
Pagando a pinga com mil cruzeiros
Disse ao garçom pra guardar o trocado
Quem quiser meu endereço
Que não se faça de arrogado
É só chegar lá em andradina
E perguntar pelo rei do gado

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B1 - Preto Inocente
Composição: (Teddy Vieira, Campão e Bento Palmiro)

Quando eu soube desse fato pelo rádio anunciado
Que um tal preto fugido morreu por haver roubado
As façanhas que ele fez me deixou muito amolado
Por lembrar que os pretos sempre são os mais visados
Mas diante da verdade eu vi que estava enganado

Vou contar o causo direito do modo que se passou
Porque o pai de Suzana num criminoso virou
Na hora que deu o tiro foi que a Suzana gritou
Oh papai porque fez isso o senhor nem me consultou
Se eu ainda estou com vida é o preto que me salvou

No mato eu tava lenhando logo pegou escurecer
O caminho que eu voltava eu não podia mais ver
Naquilo avistei o preto de susto peguei tremer
Mocinha não tenha medo escutei ele dizer
Eu sou preto só na cor mal nenhum vou lhe fazer

Eu estava muito cansada o meu corpo não aguentou
Fui sentar debaixo de um toco uma cobra me picou
O preto rancou da faca o meu pé ele sangrou
O veneno da serpente com a boca ele tirou
Pra salvar a minha vida com a morte ele brincou

E aqui nessa cabana ele trouxe eu carregando
E que nem um sentinela na porta ficou vigiando
Lá fora na mata escura as feras estavam uivando
Abatido pelo sono coitado foi cochilando
Veio o senhor de surpresa e a vida foi lhe tirando

Com as palavras de Suzana o seu pai pegou chorar
Fosse coisa que eu pudesse de novo a vida eu lhe dar
Com o sangue desse inocente minha honra eu fui manchar
Este chão que ele pisava eu não mereço pisar
Sei que vou ser condenado só Deus pode me livrar

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B4 - A Viola e o Violeiro
Composição: (Lourival dos Santos e Tião Carreiro)

Tem gente que não gosta da classe de violeiro
No braço desta viola defendo meus companheiros
Pra destruir nossa classe tem que me matar primeiro
Mesmo assim depois de morto ainda eu atrapalho
Morre um homem, fica a fama e minha fama dá trabalho.

Todos que nascem no mundo tem seu destino traçado
Uns nascem pra ser engenheiros, outros pra ser advogados
Eu nasci pra ser violeiro, me sinto bastante honrado
De tanto pontear viola meus dedo estão calejados
Sou um violeiro que canta para vinte e dois estados.

Viva o povo mineiro, cantador de recortado
Também viva os gaúchos que no xote é respeitado
Viva os violeiros do Norte que só canta improvisado
Goiano e Paranaense cantam tudo bem cantado
Viva o chão de Mato Grosso que é o berço do rasqueado.

Representando São Paulo este pagode é o recado
A música dos estrangeiros quer invadir nosso mercado
Vamos fazer uma guerra, cada violeiro é um soldado
Nossa viola é a carabina e nosso peito é um trem blindado
A viola e o violeiro é que não pode ser derrotado.

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A2 - Rio Preto de Luto
Composição: (Joaquim Moreira e Zé Matão)

Rio Preto e toda região vive muito aborrecido
De uns certos tempos pra cá quantos golpes tem sofrido
Quantos homens de valor a cidade tem perdido
Seus nomes ficou na história gravado em nossa memória
E jamais será esquecido

Quantas perdas irreparáveis quase que num tempo só
As derrotas foram tantas, falo apenas das maior
Doutor Anísio Moreira, da vizinha Mirassol
Na selva de Mato Grosso, caiu n'água num destroço
A morte não teve dó

Num desastre na Bolívia, Milton Verdi e seu cunhado
A bordo de um avião fizeram um pouso forçado
Lá viveu setenta dias do mundo desamparado
Triste fim teve os dois homens: morreram de sede e fome
Completamente isolados

O Doutor Bady Bassitt, ilustre batalhador
Pela nossa Rio Preto não poupava o seu labor
Lutava pelo progresso com carinho e com amor
Mas por uma infeliz sorte foi tragado pela morte
Aumentando a nossa dor

Meus prezados ouvinte e amigos, isso tudo não foi só
A morte também levou Doutor Alberto Andaló
Das derrotas Rio-Pretense foi uma das mais pior
Ex prefeito e deputado, lutava desesperado
Por um Rio Preto melhor

Rio Preto também perdeu o Coutinho Cavalcanti
Morreu o Doutor Jafét, outra figura importante
Nas águas do Rio Turvo cinquenta e nove estudantes
Meus Deus tenha piedade defenda nossa cidade
E também seus habitantes

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A5 - O Mineiro e o Italiano
Composição: (Teddy Vieira e Nelson Gomes)

Ao te ver pela primeira vez Eu tremi todo Uma coisa tomou conta Do meu coração

Com esse olhar meigo De menina Me fez nascer no peito Esta paixão

E agora não durmo direito Pensando em você Lembrando seus olhos bonitos Perdidos nos meus

Que vontade louca Que eu tenho De tê-la comigo Calar sua boca bonita Com um beijo meu

Princesa! A deusa da minha poesia Ternura da minha alegria Nos meus sonhos quero te ver Princesa! A musa dos meus pensamentos Enfrento a chuva o mau tempo Pra poder um pouco te ver

E agora não durmo direito Pensando em você Lembrando seus olhos bonitos Perdidos nos meus

Que vontade louca Que eu tenho De tê-la comigo Calar sua boca bonita Com um beijo meu

Princesa! A deusa da minha poesia Ternura da minha alegria Nos meus sonhos quero te ver Princesa! A musa dos meus pensamentos Enfrento a chuva o mau tempo Pra poder um pouco te ver

Princesa! A deusa da minha poesia Ternura da minha alegria Nos meus sonhos quero te ver Princesa! A musa dos meus pensamentos Enfrento a chuva o mau tempo Pra poder um pouco te ver

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B2 - Catimbau
Composição: (Carreirinho e Teddy Vieira)

Estive lendo no romance de um casal de namorado
De Rosinha e Catimbau, dois jovens apaixonados
Rosinha, família rica, Catimbau era um coitado
Capataz de uma fazenda, mas trabalhador honrado
Lá domava burro bravo, no laço era respeitado
Um caboclo destemido, por tudo era admirado

Catimbau encontrou Rosinha lá no alto do espigão
Por se ver os dois sozinhos, quis se aproveitar da ocasião
Catimbau pediu um beijo, Rosinha disse que não
Ela bem estava querendo, mas não deu demonstração
De tanto que ele insistiu, ela deu uma decisão
Vamos deixar para outro dia, para as festas de São João

Passaram esses cinco meses, chegou o esperado dia
Rosinha estava mais linda, como uma flor parecia
A festa estava animada, todos com grande alegria
Quando o pai de Rosa veio perguntando quem queria
Mostrar ciência no laço, pra laçar o boi Ventania
E os vaqueiros amedrontados, todos eles se escondiam

Chamaram então Catimbau, mas ele não atendeu
Rosinha disse: "meu bem, vá fazer o pedido meu."
Catimbau é corajoso, mas nessa hora tremeu
Depois deu um sorriso amargo pra Rosinha respondeu
"Eu vou laçar esse touro pra te mostrar quem sou eu
Mas depois eu quero o beijo que você me prometeu."

Catimbau mais que depressa no seu bragado montou
Chegou a espora no macho e a laçada ele aprontou
A laçada foi certeira que o povo se admirou
Catimbau foi infeliz, o bragado se atrapalhou
O laço fez uma volta, no seu pescoço enrolou
Com o pealo que o boi deu, sua cabeça decepou

Trouxeram a cabeça dele, Rosinha nela pegou
Chorando desesperada desse jeito ela falou:
"Catimbau prometi um beijo, receba, agora te dou."
Na boca do seu amado tristemente ela beijou
Este é fim de uma história dando provas que se amou
Rosinha e Catimbau, que a morte separou

 

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B5 - Terra Roxa
Composição: (Teddy Vieira)

Um granfino num carro de luxo
Parou em frente de um restaurante
Faz favor de trocar mil cruzeiros
Afobado ele disse para o negociante
Me desculpe que eu não tenho troco
Mas aí tem freguês importante
O granfino foi de mesa em mesa
E por uma delas passou por diante
Por ver um preto que estava almoçando
Num traje esquisito num tipo de andante
Sem dizer que o tal mil cruzeiro
Ali era dinheiro para aqueles viajaaante aai aai

O negociante falou pro granfino
Esse preto eu já vi tem trocado
O granfino sorriu com desprezo
O senhor não tá vendo que é um pobre coitado
Com a roupa toda amarrotada
E o jeito de muito acanhado
Se esse cara for alguém na vida
Então eu serei presidente do estado
Desse mato aí não sai coelho
E para o senhor fica um muito obrigado
Perguntar se esse preto tem troco
É deixar o caboclo muito envergonhaaado aai aai

Nisso o preto que ouviu a conversa
Chamou o moço com modo educado
Arrancou da guaiaca um pacote
Com mais de umas cem
Cor de abóbora embolado
Uma a uma jogou sobre a mesa
Me desculpe não lhe ter trocado
O granfino sorriu amarelo
Na certa o senhor deve ser deputado
Pela cor vermelha dessas notas
Parece ser dinheiro que estava enterrado
Disse o preto não arregale o olho
É apenas o restolho do que eu tenho
Empataaado aaai aai

Essas notas vermelhas de terra
É de terra pura massapé
Foi aonde eu plantei a sete anos
Duzentos e oitenta mil pés de café
Essa terra que a água não lava
E sustenta o brasil de pé
Você tando montado nos cobre
Nunca falta amigo e algumas muié
É com elas que nós importamos
Os tais cadillac, ford e chevrolet
Pra depois os mocinhos granfinos
Andar se exiibindo que nem coronééé aai aai

O granfino pediu mil desculpas
Rematou meio desenxavido
Gostaria de arriscar a sorte
Onde está esse imenso tesouro escondido
Isso é fácil respondeu o preto
Se na enxada tu fores sacudido
Terra lá é a peso de ouro
E o seu futuro estará garantido
Essa terra é abençoada por Deus
Não é propaganda lá não fui nascido
É no estado do paraná
Aonde que está meu ranchinho queriiido aaai aai

A3 - Boi Sete Ouro
Composição: (Teddy Vieira e Arlindo Rosas)

Circo rodeio ipiranga sua fama vai avante
Faixa preta e o proprietário tem um boi lhe garante
O seu nome é sete ouro seus pulos valem diamante
São paulo, goiás e minas fez proezas importante

Parece que o tal boi tem sabão em cima do couro
Faixa preta fala grosso o bichão vale um tesouro
Derrubou seiscentos peão não contando os calouros
Deixo da vida de circo se quebrar o sete ouro

Certo dia um feiticeiro fez um trabalho pesado
Levou um peão no rodeio cem conto foi apostado
Sete ouro não pulou deixou o povo admirado
Faixa preta descobriu que o boi foi enfeitiçado

Faixa preta na revanche contratou um macumbeiro
Dobrou a aposta com o peão para duzentos mil cruzeiros
E foi no primeiro pulo o peão beijou o picadeiro
Neste dia que o feitiço virou contra o feiticeiro

Faixa preta se orgulha da façanha que o boi fez
Quem tentar montar no bicho nunca mais fica freguês
Pros peão da minha terra lanço um desafio cortes
Pra quebrar o sete ouro precisa nascer outra vez

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A6 -  Padecimento 
Composição: (Carreirinho)

Ai a viola me conhece que eu não posso cantar só
Ai se eu sozinho canto bem junto eu canto melhor

Ai vai chegando o mês de Agosto bem pertinho de Setembro
Os passarinhos cantam alegres por as matas florescendo
Ai eu não sei o que será que já vai me entristecendo
Passando tanto trabalhos debaixo de chuva e sereno
Eu não como e não bebo nada vivo triste padecendo
Ai pra um coração de quem ama o alívio é só morrendo ai, ai, ai

Ai quem já teve amor na vida e por desventura perdeu
Não deve se lastimar nem ficar triste como eu
Pois eu também já tive amor mas não me correspondeu
O desgosto no meu peito quis ser inquilino meu
Mas eu tenho esta viola que foi enviada por Deus
Ai que só me traz alegria e a tristeza rebateu ai, ai, ai

Ai a viola me acompanha desde quinze anos de idade
Ela é minha companheira nas minhas contrariedades
Faço moda alegre e triste conforme a oportunidade
Esse dom de fazer moda não é querer e ter vontade
Tem muita gente que quer mas não tem facilidade
É um dom que Deus me deu pra desabafar saudade ai, ai, ai

Ai pra aprender cantar de viola primeiro estudo que eu tive
Aprendi com um violeiro que fazia moda impossível
Pois eu sou um violeiro novo mas também quero ser terrível
Faço moda de gente boa e de algum incorrigível
Toda moda que eu invento ocupo régua prumo e nível
Ai pensando bem um violeiro com prazer no mundo vive ai, ai, ai

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B3 - Boi Cigano 
Composição: (Tião Carreiro e Peão Carreiro)

Na cidade de Andradina com a boiada eu fui chegando
Eu estava só com seis peões, oitocentos bois nos vinha tocando
Com esse gadão de raça naquela praça eu fui travessando
O ponteiro ia adiante com o berrante ia repicando

No meio dessa boiada eu levava um boi por nome Cigano
O mestiço era valente por onde andava fazia dano
Ganhei o boi de presente na negociada dos cuiabanos
Já vinha recomendado pra ter cuidado com esse tirano

O comprador desse gado na estação já estava esperando
Pra fazer o pagamento depois do embarque dos cuiabanos
Soltei os bois na mangueira e gritei pros peões
Já podem ir embarcando
Embarquemos os pantaneiros e no mangueiro ficou o Cigano

Chegou naquela cidade o grande Circo Sul Africano
Uns homens com o proprietário a respeito do boi estavam conversando
Insultou-me numa briga do leão feroz e o cuiabano
Bati vinte mil na hora e jogos por fora estavam sobrando

O circo estava lotado e dado momento estava chegando
Quando as feras se encontraram eu vi que o mundo ia se acabando
Uns gritavam de emoção e outros de medo estavam chorando
Em vinte minutos o leão assentou no chão e ficou urrando

O Leão é o rei das feras
Na selva ele é o soberano ai, ai
Com sentimento seu dono
Entregou o trono pro meu Cigano ai, ai

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B6 - Exemplo de Humildade
Composição: (Dino Franco e Tião Carreiro)

Eu entrei num restaurante pra tomar uma cerveja
Quando um tipo que andeja encostou-se no balcão
Apesar de maltrapilho pareceu-me inteligente
E pediu humildemente uma batida de limão
Mas eu tive uma surpresa no copeiro malcriado
Quis dinheiro adiantado para depois atender
E o rapaz interiorano dando provas de humildade
Satisfez uma vontade absurda no meu ver
O patrão que estava perto deu razão ao empregado
Cabisbaixo e humilhado o mendigo se serviu
Demonstrando crueldade o dono do restaurante
De maneira arrogante resmungando prosseguiu
Eu de fato me aborreço com freguês pés de chinelo
E pegando um parabelo exibiu depois guardou
E o rapaz de olhar manso nada disse mas sentiu
Outra dose ele pediu mas primeiro ele pagou
Trinta dois dias de viagem, é uma longa caminhada
Aparecida do norte era o fim dessa jornada
Nessa altura no recinto havia bastante gente
Com pena do indigente que muito calmo falou
Se eu estou sujo e rasgado é de tanto caminhar
Pois eu preciso pagar alguém que me ajudou
Eu vi minha mãe doente de um mal quase sem cura
E com essa desventura pressenti a fria morte
Então a Deus fiz um pedido e o milagre foi tão lindo
E é por isso que vou indo à aparecida do norte
Concluindo essas palavras deixou bem claro a lição
Para os dois deu um cartão com as suas iniciais
Sou um forte criador de gado raça holandesa
Alem de outras riquezas que tenho em minas gerais
Pelo meu tipo de andante, eu aqui fui maltratado
Mas eu fico obrigado pela falta de atenção
Os senhores desta casa não souberam me atender
Quando deveriam ter um pouco mais de educação

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